Esquetes de Nova Orleans (William Faulkner)



Olá, pessoal!

Uma das metas que me propus esse ano foi de ler mais William Faulkner e tirar a poeira da biblioteca de respeito que eu tenho do autor. Tenho dezoito títulos do autor aqui na minha estante e li poucos até o momento, devido a outras prioridades que a vida impôs em 2017. Enfim, decidi começar por esse livro de esquetes, que marca o início do autor na prosa, pois, até então, ele escrevia e publicava apenas poesia (tenho muita curiosidade de algum dia ler essas poesias dele!).

O livro reúne dezessete textos publicados entre janeiro e setembro de 1925, enquanto Faulkner esteve em Nova Orleans, na revista literária "The Double Dealer" e o jornal "Times Picayune". São textos curtos, cada um contando uma estória e um personagem diferente. Particularmente, eu gostei de todos os textos, pois ele assume a voz da personagem e parece que cada texto é contado por uma outra pessoa totalmente diferente e não ele (deu para entender?).



A compilação inicia com uma introdução de cerca de 30 páginas, feita por Carvel Collins, que nos contextualizará a respeito das esquetes, de como Faulkner se destacou na época e até impressionou H. L. Mencken (ele é um pouco radical em algumas opiniões, mas gosto desse cara!), que costumava dizer que o sul dos Estados Unidos não possuía cultura.

Antes de ir para Nova Orleans, Faulkner vivia em Nova York, trabalhando como agente do correio. Ele ficou neste cargo por cerca de três anos e o alívio dele ao deixar o emprego, por não estar mais à disposição de todos, é enorme e seu comentário a um amigo a respeito disso é o melhor (e me representa, quando deixei meu emprego em dezembro de 2017):

"Parecia também contente por ficar livre para dar-se em tempo integral à escrita - livre, como disse a um amigo no dia seguinte à sua demissão, para observar nas ruas o colorido da vida, para pegar o seu cachimbo e papel e poder sonhar e escrever. Em seus comentários para esse amigo, ele acrescentou que não pretendia mais ser controlado pelo relógio nem pela rotina diária de um emprego convencional" - Pág. 8

O que eu achei mais interessante neste livro é que vamos encontrar os primórdios de vários personagens que farão parte de suas obras consagradas. Por exemplo, a respeito de Luz em Agosto:

"A referência em 'Fora de Nazaré' à crença tranquila de uma mulher grávida de que a natureza cuidará dela antecipa Lena Grove, de sete anos mais tarde, de Light in August (Luz de Agosto)" - Pág. 27

Há também, em suas esquetes, referências a respeito de O som e a fúria

"(...) o mesmo esquete [Fora de Nazaré], com seu comentário de que os homens do parque 'haviam aprendido que a vida não só é destituída de alegria e paixão, como também nem mesmo é particularmente dorida," antecipa um pouco a atitude que Mr. Compson viria a expressar a seu filho Quentin em The Sound and The Fury (O Som e a Fúria)" - Pág. 27

Ao longo do texto, Collins também nos situa a respeito das esquetes que trarão outras antecipações de "O Som e a Fúria", de "O Povoado" e "Enquanto Agonizo", enfim, são inúmeras referências mencionadas na introdução e, diga-se de passagem, muito interessantes para quem quer conhecer melhor as origens do autor.

"Grandes motivos são também prefigurados aqui. Em seus romances, Faulkner faria amplo uso de paralelos com a fé e os ritos do cristianismo, principalmente em Sartoris, Enquanto Agonizo, Luz de Agosto, Pylon, O Povoado e A Fable (Uma Fábula)"- Pág. 28

É um texto muito completo que nos orienta na leitura das esquetes e um ótimo companheiro para quando ler os romances, para auxiliar no entendimento de alguns pontos. E super recomendo a sua leitura caso tenha interesse na obra do autor, afinal, ele possui um estilo peculiar, pode ser que esses textos auxiliem no entendimento da obra.




A esquete que eu mais gostei foi a 'Ciúme', pois, ela é de tirar o fôlego e é impressionante o que o autor consegue criar em poucas páginas.

O meu livro é antigo, mas ainda é possível de encontrá-lo para comprar. É uma ótima obra para se ter na estante e estudar.

Nota da leitura:

Beijos,

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