Heart Berries: a memoir (Terese Marie Mailhot)



Olá, pessoal, tudo bem?

Desde que passei a usar somente o Goodreads para registrar minhas leituras, passei a um outro nível de experiência em redes sociais a respeito de livros. O site possui uma forma bem interessante para recomendar livros e, galera, difícil vir um livro ruim. O livro de hoje é um desses que apareceu no box de recomendações, aí vi outros amigos de lá também lendo e não tive dúvidas, deixei outras leituras de lado e me joguei nesse livro.

Heart Berries foi lançado em fevereiro de 2018 e, mal entrou no mercado, já causou alvoroço, vendas lá nas alturas, mencionado em muitas listas e foi uma das leituras do grupo da Emma Watson no Goodreads, o Our Shared Shelf.

A autora, de uma reserva indígena, através destas páginas discorre sobre sua vida na reserva, a família disfuncional que teve, os abusos do pai e a mãe, que tinha uma queda por prisioneiros. Tudo isso de forma poderosa e avassaladora. Suas memórias são escritas em forma de ensaios em linguagem poética de forma a fazer que cada linha lida pule do livro e bata com toda a força em seu peito.

Em certo ponto de sua vida, Terese Marie é internada, diagnosticada com transtorno de estresse pós traumático e é bipolar II, além de ter tendências ao suicídio. Neste período de internação, dão a ela um caderno e ela passa a escrever suas memórias, feridas e dores como forma de ajudar-se a melhorar. É o poder da escrita em sua melhor forma.

My story was maltreated. The words were too wrong and ugly to speak. I tried to tell someone my story, but he thought it was a hustle. He marked it as solicitation. The man took me shopping with his pity. I was silenced by charity - like so many Indians. I kept my hand out. My story became the hustle.
The nurses gave me a composition book and a ballpoint pen: the least I was ever given to write with, and I produced so much work. Every letter was to you. I don’t think you know what your word meant to me. I found hundreds of ways to ask you if I was wrong. I tried to ask you, without your pride, was our problem your fault at all? Were you really cold, or do I just imagine people don’t care about me?
A maioria dos ensaios são direcionados a Casey, com quem ela rompeu o relacionamento e ela desabafa colocando assuntos como o estereótipo e a objetificação do indígena pela cultura branca americana podem influenciar os relacionamentos quando cada um é de uma cultura diferente. Ela foi mãe muito jovem, com problemas psíquicos, tendo que enfrentar preconceitos e outras situações constrangedoras por parte da família do pai do primeiro filho.

When I was eleven, I stared in the mirror to see if I had breasts yet. Fred Cardinal, an elder, was in the next room. He called me in and said, “Your name is Little Mountain Woman: Asiniy Wache Iskwewis.” I felt ashamed and undeserving of the name. He wanted me to know that I was good and holy, but I didn’t think that my body was a universe. I didn’t think I would unravel so well either. I drew power from the mountains and chose a home in the desert.
I pulled back my sleeves and there were small, thin, red lines across my wrists. My sister cried and held her mouth. She had seen worse, and I expected more from her. I knew that cutting myself was wrong. I was pregnant and a mother.

Conforme a leitura avança, vamos nos deparando com textos incríveis sobre perda, sobrevivência, maternidade, feminismo, sofrimento, doenças mentais, traição e amor. Seus ensaios são íntimos e maravilhosamente bem escritos, sem seguir padrões. Ela sentiu-se pronta para contar ao mundo como seu pai a machucou quando criança, reconciliou-se com sua memória e o fez com tanta força, entregando sua alma, mostrando quem é, sem remorsos.

Como o livro ainda é recente, é possível encontrá-lo somente em edições físicas e eletrônicas em inglês. Se você lê em inglês, aproveite e já aprecie essa entrega tão dilacerante. 

Abaixo, um pequeno vídeo da autora lendo alguns excertos do livro. Suas palavras ficam ainda mais belas em sua voz.

Espero que gostem da sugestão de leitura!



Nota da leitura:

  




Beijos,


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