Só Garotos & Devoção (Patti Smith)


Bom dia, pessoal!

Hoje vou falar rapidinho de dois livros que vieram na caixinha da TAG Curadoria em Março.

O primeiro é Só Garotos, livro bem conhecido por vocês, que é uma autobiografia bem inusitada. É um livro de memórias, no qual Patti Smith imortalizará a fase de sua vida na década de 60 e 70 em Nova York, ao lado de Robert Mapplethorpe.

Patti Smith sempre teve uma conexão muito forte com a arte que se manifestou desde quando muito jovem, pintando quadros, escrevendo e admirando poesia. Quando ela vai para Nova York, conhece Robert que vai ser seu parceiro em vários sentidos por muitos anos. Ele é quem mais a incentivou em seu trabalho, quem mais reconheceu o seu talento.

A obra é uma imersão na vida da artista, assim como na Nova York das décadas de 60 e 70. O famoso Hotel Chelsea, onde vários artistas moravam e mantinham contato (que vontade de conhecer esse lugar!), o cenário musical maravilhoso da época, com a ascensão de Janis Joplin e Jimmy Hendrix, enfim, para quem gosta de música, é um prato cheio!

Patti parece ser bem sincera ao narrar sua vida e como sentiu-se perdida por um tempo com relação à sua arte, sem saber qual rumo tomar antes de escolher a música, que começou com declamações de poemas acompanhados por música. Imagina que incrível?



Achei o livro maravilhoso e destruidor. A escrita é deliciosa e é perceptível a influência da poesia em seu estilo. É emocionante acompanhar o quanto os dois, Patti e Robert, dedicaram-se um ao outro. Sempre penso que esse livro, sim, deveria chamar-se Devoção. ;)

Eu sou uma amante, apreciadora e viciada em música da década de 70, já conhecia desde minha infância (Sim, infância! Sou de 82 e meu primeiro presente 'musical' foi uma fita K7 do Nirvana aos 6 anos de idade. Sim, fui muito bem educada musicalmente!) as músicas da Patti Smith e dos outros artistas que fizeram parte do mesmo cenário musical, sem falar no clássico CBGB & OMFUG, berço de tantas bandas consagradas, como Ramones, The Stooges, Velvet Underground etc.

Para quem é tão ligado à música, ama a sua história e das bandas (como eu!), esse livro torna-se ainda mais especial. Sério, cenário incrível!

E o final me fez chorar bastante (dei para ficar chorona com livros agora), Robert acaba falecendo devido a AIDS em 1989 e como a Patti conta isso e como a afetou, é de doer o coração. Eu nunca fui muito fã do tipo de fotografia que ele fazia, mas a sua importância como pessoa na vida da Patti não pode ser misturada a isso, afinal, ele foi o maior apoio dela.



Já o outro livro, Devoção, que foi o brinde da caixinha de março, é uma obra curtinha que vai nos apresentar o processo criativo de escrita da Patti Smith. O livro começa com uma viagem dela a Paris e como ela vai absorvendo elementos do meio por onde passa para inspirar-se e escrever o conto Devoção. Achei um livro legal, mas não foi nada que me surpreendeu, pois, acho que fui com muita sede ao pote. É legal descobrir como ele faz seu trabalho de escrita? Sim, óbvio. Mas esperava algo com mais conteúdo e mais entrega, já que a escrita é algo tão importante na vida dela. 

Eu não havia lido nada da Patti até então, só conhecia mais a fundo suas músicas. Então, posso dizer que foi uma experiência maravilhosa ter conhecido esse lado dela, sua lírica e sua entrega ao relatar aquela fase de sua vida. Se ela é totalmente confiável nas memórias, não sei, mas me fez ser mais fã ainda dela e admirá-la ainda mais.

Se quiserem entender como eram as coisas naquela época, existe um filme que chama "CBGB: O berço do Punk Rock", lançado em 2013, dirigido por Randall Miller. O filme conta Alan Rickman no elenco, como  Hilly Kristal, dono do CBGB (Alan Rickman está demais nesse filme!). Super vale a pena ver o filme para complementar esse livro da Patti e conhecer mais sobre música. A galera que faz os Ramones e o Iggy Pop, OMG, muito parecidos mesmo! A Patti Smith é interpretada pela atriz Mickey Sumner. O trailer do filme está aí abaixo:




Beijo,


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