A morte de Ivan Ilitch (Liev Tolstói)



Olá, pessoal, tudo bem com vocês?

E vamos à primeira resenha da minha maratona para essa semana! \o/

Comecei a maratona com esse livro que eu queria ler há tempos por tudo o que ele representa na literatura e, claro, por ser do Tolstói, que eu não leio há meses.

O livro começa com o funeral de Ivan Ilitch e parece que as pessoas que o cercavam não estão sentindo muito a sua morte, pois, pensam mais no fato: "Ainda bem que não foi comigo". Depois disso, Tolstói vai voltar no tempo e narrar como era a vida de Ivan Ilitch. Ele era um bom filho, bom estudante e se dedicava às coisas que fazia, sendo o orgulho da família.

"Além das considerações suscitadas em cada um por esta morte, sobre transferências e possíveis alterações no serviço, o próprio fato da morte de um conhecido tão próximo despertou como de costume, em cada em que teve dela conhecimento, um sentimento de alegria pelo fato de que morrera um outro e não ele"- Pág. 9

Depois que é nomeado a promotor e muda-se para São Petersburgo, ele conhece a mulher que viria a ser sua esposa, consegue formar uma família e também tem um bom trabalho, o que ele considera uma boa vida. Entretanto, Ivan Ilitch é acometido por uma doença, a qual nenhum médico consegue tratá-la com eficácia. Cada um passa um tratamento diferente, somente paliativos e nada da cura vir até Ivan.

A presença da doença desperta muitas inquietações em Ivan Ilitch, principalmente, a presença constante da morte em seus pensamentos e como sua vida fora, até então, vazia e de aparências. Nesse momento, a névoa que envolvia seu olhar para a vida se dissipa e ele passa a notar a pressença desse vazio e da mentira na sua vida familiar, direcionando ódio à sua esposa e filhos, assim como também enxerga esse tipo de situação no ambiente de trabalho, onde prevalece a ganância e o interesse.

Mesmo tendo percebido a sua condição somente na doença, senti que a personagem já havia "morrido" bem antes, quando adotou este estilo de vida no seu dia a dia (viver de apaências). A presença da morte é tão intensa que, em determinado ponto do livro, é personificada, como uma presença a observá-lo a todo momento. O autor mostra o poder da dor física no indivíduo, a reflexão íntima acerca da dor moral diante da realidade da vida, a dor no espírito, compaixão por si mesmo e a impotência de não poder reverter o que já foi feito. Ainda assim, Ivan Ilitch alcança sua rendenção ao desenvolver uma amizade com o copeiro Guerássim, que é capaz, com toda sua simplicidade, de segurar o tênue fio que ainda prende a humanidade à Ivan Ilitch.

"(...) deixou então de se conter e chorou como uma criança. Chorava a sua impotência, a sua terrível solidão, a crueldade dos homens, a crueldade de Deus, a ausência de Deus" - Pág. 66

Tolstói escreveu esta obra já em sua maturidade artística, após já ter publicado Ana Kariênina e Guerra e Paz, então, pode esperar um livro curto, mas incrivelmente bem escrito com muitas reflexões e sensações. Por exemplo, quando ele narra a agonia de Ivan Ilitch, é tão real e tão tangível que parecia que ele estava urrando no quarto ao lado. Esses sons ficam na memória, mesmo após o término da leitura.

Enfim, foi um livro que me surpreendeu em níveis altíssimos e me chamou ainda mais a minha atenção para observar tudo o que faço no dia a dia, afinal, e se hoje fosse o meu dia, o final da minha missão por aqui ou, ainda, o final da missão de alguém próximo a mim? A vida teria sido plena ou vazia?

"“Mas o que é isto? Para quê? Não pode ser. A vida não pode ser assim sem sentido, asquerosa. E se ela foi realmente tão asquerosa e sem sentido, neste caso, para quê morrer, e ainda morrer sofrendo? Alguma coisa não está certa.”“Talvez eu não tenha vivido como se deve - acudia-lhe de súbito à mente. - Mas como não, se eu fiz tudo como é preciso?” - dizia de si para si, e no mesmo instante repelia esta única solução de todo o enigma da vida e da morte, como algo absolutamente impossível.“E o que tu queres agora? Viver? Viver como? Viver como tu vives no tribunal, quando o meirinho proclama: ‘Está aberta a sessão!...’ Está aberta a sessão, a sessão” - repetiu consigo. - Aí está o julgamento! Mas eu não tenho culpa! - exclamou com raiva. - Por quê? - parou de chorar e, voltando o rosto para a parede, pôs-se a pensar sempre no mesmo: por quê, por que todo esse horror?Mas, por mais que pensasse, não encontrou resposta. E quando lhe vinha o pensamento, e vinha-lhe com frequência, de que tudo aquilo ocorria porque ele não vivera como se devia, lembrava no mesmo instante toda a correção da sua vida e repelia esse pensamento estranho." - Pág. 67-68

Reflitam.

Beijos,


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